Representando um papel

Deus

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No domingo fui cobrir o Dia de Santo Expedito. Rendeu uma matéria bacana, conversei com o padre,  com o suplente, fiquei debaixo do sol com fome e calor. Fiz uns personas extraordinários, pessoas sofridas que foram até o bairro da Luz em busca de um milagre.

Milagre. Não sou católica, não acredito em santos, não rezo, nem sabia que a correntinha se chamava terço. Mesmo assim, naquele momento, me abri e deixei que alguma coisa mexesse comigo. Deixei que o padre me desse uma daquelas correntinhas – desculpem, terço – e por um segundo eu não questionei se Deus existia ou não.

Melhor, ainda não sei se Ele existe. Acreditei Nele por anos a fio, até Ele me provar que foi Ele quem criou o mazoquismo. Desculpa, mas com tantas pessoas boas, não entendo como ainda existe a pobreza, a violência, a ignorância e qualquer outra coisa do gênero.

Há exatos dois anos eu ainda me perguntava o motivo pelo qual eu não tive o meu milagre. Os meus milagres. Ele não quis me dar, quis me tirar. E depois ainda dizem que ele é bacana?! Ok, talvez eu me arrependa de ter dito tudo isso. Mas, nesse instante, eu ainda questiono se ele realmente pensa nos seus filhos.

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Written by Silvia

22/04/2009 at 7:57 PM

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Amor com trilha sonora

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É de você que eu lembro quando uma música antiga toca na rádio. É de você quem eu lembro quando escuto qualquer melodia que fale sobre um amor perdido. É de você quem eu lembro quando estou me sentindo triste e solitária. É de você que eu lembro quando eu me sinto feliz e realizada.

É como todo mundo fala: “Um dia isso vai passar”. Ainda espero o meu dia chegar, apesar de ter medo. Muito medo. E se eu te esquecer? E se esquecer o seu tom de voz, o seu olhar e a maneira que costumava me acordar?

O que eu quero esquecer sei que nunca sairá de mim: o último dia que te vi. Eu falei, gritei, esperniei e você não voltou atrás na sua decisão.. a de me deixar. E, as vezes, o que eu mais queria no mundo era seguir com você. Por que não? Ia te procurar, procurar o seu abraço e o seu conforto. Ok, talvez você não fosse me querer, talvez me expulsasse… mas…agora eu quero acreditar que não. Eu quero acreditar que você me receberia com braços abertos ao som do Queen, dos Beatles ou do Fredie Mercury.

Então, se você ler isso, volta pra mim. Dá um jeito, dribla tudo e todos e volta. Você faz falta.

Written by Silvia

15/04/2009 at 10:59 PM

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Volte

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Uma das coisas que eu sempre quis saber é de onde vem todos os sentimentos e sensações. Isso porque, na minha opinião, se você consegue controlá-los, você controla tudo o que quiser. Se eu disser que tento me entender diariamente, e sem sucesso, não vou estar mentindo. Sempre senti tudo muito forte, do amor ao ódio, da alegria à tristeza e da fome à saciedade. A minha realidade é que nem eu a conheço.

Ser indecisa já não é mais qualidade, defeito ou característica. Descobri que ela é parte intrínseca de mim. Dia após dia, esse ladinho cresce por mais esforço que eu faça. Não saber se vou para direita ou para esquerda, se escolho o preto e o branco, se como arroz ou massa é rotina. Não ter isso é não ter chão, não ter teto e nem sustentação.

Se você quiser, posso mesmo ir com você. Afinal, desde pequena, me falavam que a senhora era muito feia, arrogante, metida e, apesar de tudo, perspicaz. Talvez eu concorde com o perspicaz, você conseguiu me captar em 5 minutos.

Não tenho o que fazer aqui. Meus filhos, a senhora sabe, estão casados. Meu ex-marido…ah, meu ex-marido. Ele está com outra. Outra anos mais jovem. Não sou velha, tenho a cabeça aberta e, apesar de tudo, não entendo como um homem de 69 anos resolve namorar uma de 25. Sim, eu o amo. Nunca o esqueci, um dia eu acreditei que tinha feito com que a sua imagem saísse da minha cabeça, que o seu cheiro saísse do meu corpo e que a minha alma voltasse pra mim. Mas não, até a minha alma o filho-da-puta levou.

Sou feliz, sim. Com os meus 65 anos, tenho a minha aposentadoria, tenho os meus filhos que vem me visitar mensalmente e tenho o jardim. O meu jardim, o meu amor, a minha vida. Aquela rosa ali… Não, não essa. Aquela vermelha com as pétalas abertas! Ela virou a minha confidente e agora eu sei que ela também é a sua.

Flores. Sempre soube que eram suas amigas. Elas escutam as lamúrias de homens e mulheres para te dar todas as informações. E eu não entendo como você pode preferir levar os que têm o coração partido.

Quê? Onde a senhora pensa que vai? Não vire as costas pra mim… não, volte! Por favor… eu paro de falar, paro de chorar…! Por favor… por favor, volte…

Written by Silvia

29/03/2009 at 11:03 PM

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O tombo

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Ela acordou e abriu os olhos rápido demais. Acostumada a ficar alguns bons segundos com as pestanas fechadas, Simone se sentiu violada quando a claridade a pegou em cheio. Teve raiva de si mesma por não ter respeitado a sua rotina, mas tentou fingir que nada havia acontecido.

Foi ao banheiro, tirou seu pijama e ligou o chuveiro. Quando entrou embaixo d’água, o segundo momento assustador do dia: a água estava mais gelada que o último sorvete que havia tomado. O ímpeto foi sair correndo. Porém, ao fazer isso, caiu.

O estrondo foi tão grande que seu cachorro começou a latir. Enquanto isso, ela continuava tentando se levantar enquanto amaldiçoava quem tivesse deixado aquele sabonete no chão.

Na décima tentativa de levantar percebeu que não havia se mexido um milímetro sequer. Ficou assustada. Começou a chorar implorando para que tudo aquilo fosse um sonho enquanto a água gelava ia ficando cada vez mais aconchegante, menos gélida.

Written by Silvia

05/03/2009 at 9:01 PM

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Marcello, Suzana, Bill

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Um dia turbulento. Na vida do advogado Marcello tudo era corrido. Apesar de possuir poucos clientes, Marcello sempre estava ao celular ou correndo de fórum em fórum. Aquele dia não foi diferente. Às 19 horas, ele finalmente tinha encerrado uma reunião e se preparava para ir, enfim, para casa. Queria carinho, comida, água, cama, banho e descanso.

“Devia ter me casado com a Suzana. Agora, eu teria uma comida quentinha me esperando em casa e uma mulher para me escutar”, pensou ele enquanto cruzava a 23 de Maio. Seu pensamento naquele dia estava longe e, por algumas vezes, quase bateu o carro. Sabia que ao chegar em casa precisaria passear com o Bill, seu cachorro de apenas 4 anos, enviar alguns e-mails para os clientes, se atualizar, responder os e-mails de seus preocupados amigos e colocar a usual lazanha congelada no forno.

A solidão lhe apetecia, mas tinham dias difíceis. Comprou Bill por pensar que um cachorro o ajudaria a suprir seu desejo por atenção. Claro, sem sucesso. Muito pelo contrário. O pequeno cachorro de pêlos dourados era acostumado a ficar com a diarista e quase sempre rosnava ao ver o cansado advogado.

Ao abrir a porta de seu apartamento, Marcello pôde sentir o cheiro de limpeza. Aquilo o confortava de alguma forma. Ele sabia que os lençóis brancos de sua cama estariam ali, prontos para acolherem e sugarem para si o cansaço de um longo dia. Mas aquilo já não era o suficiente.

Às 2 horas da manhã, estava preparado para dormir. Bill estava no pé da sua cama e Marcello vestia o seu pijama listrado. O pijama que ela havia dado. Ele ainda mantinha os mesmos costumes, até o de desejar boa noite à Suzana. Ao mesmo tempo que a amava, que não tinha tido outra mulher além dela, ele a odiava. A odiava por ter feito passar por tantas coisas.

Entre seus sonhos, Marcello sempre recordava aquela cena. Ela, sentava na beira daquela mesma cama, olhando nos seus olhos, falando que ele não tinha coração, que era frio e que ela estaria melhor sem ele. Ele que sempre se pôs a trabalhar para dar tudo do bom e do melhor para aquela mulher que nada fazia a não ser ficar bonita para ele.

Em um de seus pesadelos, ele até respondia. Respondia o quão egoísta ela estava sendo, que ele a amava e que, apesar de tudo, queria passar o resto dos seus dias com ela. Para ele, amor se resolvia com amor, assim como as brigas e discussões. 

“Mas por que será que não consegui mantê-la por perto?”, pensava quando acordava.

Written by Silvia

10/02/2009 at 11:25 PM

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Você

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Eu te amei como nunca pensei amar alguém. Amei mesmo. Amei de dar o corpo e a alma, de dar o presente, o passado e o futuro. Te dei o meu futuro! Dei o que eu mais tinha pra dar: meu zelo. Dei o que você não merecia, o meu apreço. Te dei o que você queria, a minha vida.

Por muito tempo acreditei que era você que me fazia viver, que fazia com que meu coração batesse e os meus pulmões funcionassem. Por muito tempo acreditei que era com você que eu deveria construir uma vida, uma família, um legado. Por muito tempo te deixei roubar a minha essência, os meus prazeres e as minhas ambições.

Te amei porque realmente acreditei que você me guiava. Mas, no final, provei a mim mesma que você me perdia. Você fazia com que eu desse 50 voltas no mesmo lugar… e, eu, tonta que fui, não percebia.

Written by Silvia

09/02/2009 at 10:26 PM

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Adeus

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Hoje eu me despedi de você. Me despedi do seu apreço, do seu zelo e do seu carinho. Aliás, me despedi do seu respeito. Na verdade, hoje eu provei a mim mesma, pela última vez, que você não tinha nada disso por mim. Você tinha posse, tinha vontade e capricho. Agora não dá mais. Vou embora sim, por favor, não me siga, não bata a porta e não faça besteira. Faço isso porque hoje você provou que me procura por costume, que me procura por ter certeza que me terá. Não, não terá. Não sou assim tão previsível. Sei ser ruim, sei ser omissa e desinteressada.

Não adianta gritar. Não grite comigo. Mantenha a compostura que você um dia teve na minha presença. Chega de palhaçada, de atuar e fingir que o mundo está cor de rosa, que você me quer e que não vive sem mim. Não, amizade? Amizade também não dá, querido. Cadê o respeito que regiria qualquer relação que poderíamos ter? Você foi frio, foi distante e foi mentiroso. Espero que tenha valido a pena. Espero que os beijos dela sejam melhores que os meus, que os abraços dela sejam melhores que o meu, que o cheiro seja mais confortante, assim como as suas palavras, os seus conselhos, o seu sexo e os seus interesses.

Cansei de tentar, de bater a cara na parede, de fazer o faz de conta sozinha. Relacionamentos são difíceis, mas eu tentei, meu bem. Meu bem… meu bem… eu cresci para te dar a melhor pessoa que eu poderia ser. Cresci para te oferecer uma mulher interessante, um bem durável. Eu cresci. Me infantilizei em muitos momentos, principalmente quando pensava em te perder. Me via sem chão e escutar o seu choro me confortava, me fazia ver que eu não tentava sozinha, que você também se preocupava.

Em um momento, você disse que eu devia seguir a minha vida. Pequeno, eu deveria ter seguido. Não deveria ter pestanejado. Não deveria ter chorado, me descabelado ou qualquer coisa assim. Deveria ter sido fria, assim como você é quando fala comigo ao lado dela, dos seus amigos, dos seus familiares e de todos.

Não adianta lutar para me ter do lado. Não adianta, sou mais do que um capricho. Talvez seja menos do que você merece e procura, mas sou mais eu. Sei o quanto eu amei, sei o quanto eu segurei esse sentimento, mesmo quando ele escapava por entre os meus dedos. Sei de tudo isso, você deve saber. Você também se esforçou em momentos.

Se esforçou para esconder que iria sair com ela hoje, mas eu te peguei. Te peguei no pulo, como muitas pessoas diriam. Te peguei e, mesmo assim, você agiu com a sua frieza. A conhecida frieza.

Me despeço e peço para que você não bata a porta quando eu sair. É feio. Vou me reeducar, me encontrar, saber quem sou. Vou te mostrar que amar é ceder, que é deixar a pessoa ser feliz.

Me dê o divórcio, vá ser feliz. Assina essa papel, me deixe livre. Era o que você mais queria, mesmo que não saiba admitir agora. Um dia, quem sabe, a amizade volte, o amor retorne. Mas, hoje, você acabou com o restinho de amor que me segurava, que impedia que eu conhecesse outras pessoas, que me impedia de ser quem eu sempre fui.

Seja feliz com ela. Feliz, assim, como você nunca foi comigo.

Written by Silvia

04/02/2009 at 9:50 PM

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